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Educação contra a barbárie

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Contrapondo-se ao discurso sobre educacao pautado apenas por indicadores, rankings e eficiencia, a Boitempo lanca Educacao contra a barbarie: por escolas democraticas e pela liberdade de ensinar. Fernando Cassio, organizador da obra e especialista em politicas publicas de educacao, convidou mais de vinte autores para propor um debate franco e corajoso sobre as principais ameacas a educacao publica, gratuita e para todas e todos: o discurso empresarial, focado em atender seus proprios interesses; a perseguicao a atividade docente e a auto-organizacao dos estudantes; e o conservadorismo que ameaca o carater laico, livre e cientifico do ambiente escolar.Neste novo volume da colecao Tinta Vermelha, selo que busca provocar reflexoes sobre assuntos atuais, temas como revisionismo historico, experiencias de educacao popular, financiamento do ensino publico, dilemas da educacao a distancia e a polemica ideologia de genero sao abordados com rigor teorico e linguagem acessivel. A obra conta com prologo de Fernando Haddad e quarta capa de Mario Sergio Cortella.A primeira parte do livro trata dos desafios a conducao e a organizacao do ensino publico. Daniel Cara e Ana Paula Corti desenvolvem concisos panoramas sobre as politicas educacionais no Brasil nos ultimos anos e a situacao do Ensino Medio, respectivamente. Os textos de Carolina Catini e Marina Avelar ampliam o debate sobre a educacao como mercadoria e o avanco dos interesses privados sobre o ensino publico, enquanto o de Silvio Carneiro volta-se aos reflexos dessa concepcao de educacao na formacao dos alunos, no que ele chama ideologia da aprendizagem . Catarina de Almeida Santos trata de um modelo educacional que, embora apresente aspectos positivos em determinados contextos, tem sido usado para ampliar a mercantilizacao da educacao e precarizar a formacao dos estudantes: o ensino a distancia. Ja os ensaios de Jose Marcelino de Rezende Pinto e Vera Jacob Chaves discutem, nessa ordem, o financiamento da educacao publica e os movimentos de financeirizacao no ensino superior privado lucrativo.A segunda parte da obra volta-se as atuais ameacas as praticas docentes e a educacao democratica. Isabel Frade e Bianca Correa escrevem sobre as disputas na definicao de politicas para a alfabetizacao e a primeira infancia, respectivamente. Matheus Pichonelli aborda a educacao domiciliar, pratica polemica defendida pelo atual governo e incluida como meta para os 100 primeiros dias de governo, enquanto Ruda Ricci faz a critica da militarizacao das escolas. O debate das religioes de matrizes africanas e indigenas em sala de aula e feito por Denise Botelho, seguido por uma reflexao de Maria Carlotto sobre a guerra do governo federal contra os intelectuais brasileiros e a academia. Alexandre Linares e Eudes Baima abordam o famigerado Escola Sem Partido e a perseguicao aos professores ele tenta impor nas escolas, enquanto Rogerio Junqueira procura esclarecer o que seria, afinal, a ideologia de genero . Sergio Haddad fecha a segunda parte com um texto sobre o educador Paulo Freire, mundialmente reconhecido, mas cada vez mais alvo do discurso reacionario no Brasil.A terceira e ultima parte aponta caminhos e desafios para uma educacao democratica. Rodrigo Ratier tece um elogio a raiva e a revolta nas escolas, e Pedro Pontual aborda os desafios e as propostas para a educacao popular e a participacao social. A busca por novos recursos educacionais e o conhecimento como bem comum sao os assuntos do ensaio de Bianca Santana, seguido por uma exposicao de Sonia Guajajara sobre o modelo da educacao indigena como forma de enfrentamento da barbarie. Alessandro Mariano aborda o projeto educativo das escolas do MST, que ha tres decadas formam pessoas de todas as idades e fomentam inovacoes pedagogicas. Ja o texto da Rede Brasileira de Historia Publica coloca em pauta os perigos do revisionismo historico. Aniely Silva escreve a respeito de sua experiencia como participante das ocupacoes estudantis das escolas paulistas em 2016, assunto retomado e ampliado no texto da Rede Escola Publica e Universidade. Conclui o livro uma traducao inedita de um artigo sobre educacao democratica escrito pela educadora e ativista estadunidense bell hooks.

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